Ferroviário(C)/PE [BRA]

Atualizado em 30/08/2015
Nome Oficial Ferroviario Esporte Clube do Cabo
Fundação  18/12/1961
Status Atual  Em atividade
Endereço  Rua Armando José Sales, 86
Bairro 
Cidade  Cabo de Santo Agostinho
Estado  Pernambuco
CEP 
País  Brasil
Retrospecto  Clique aqui para ver todos os campeonatos com participação deste time
Localização 
Telefone  (81) 3521-6442
Apelido 
Mascote 
Uniforme 
Equipe Ranqueada  Ferroviário(C)
Grafia Orig. Oficial 
Site Oficial 
Outros Sites 
Outros Sites 
Estádios 
Gileno de Carli, Cabo de Santo Agostinho/PE, Brasil
Histórico 
Antes de mais nada, uma advertência aos leitores: a matéria a seguir trata-se de tudo o que um time de futebol e claro, seus jogadores não deveriam ser e/ou fazer. Pior ou seria melhor? ainda quando a tal agremiação foi campeã da Terceira Divisão e empatou com o Náutico. Isto posto, já podemos dar nome aos bois. Estamos falando do Ferroviário Esporte Clube do Cabo, um time em que o artilheiro é cobrador de ônibus o zagueiro, que às vezes faz-se de volante e até de atacante, é auxiliar de conferente da Brahma; e o próprio técnico labutava na xaroparia da mesma fábrica de gaseificados e fermentados.

Entretanto, a lista não pára por aí. Dos 20 jogadores do elenco do alviverde cabense, oito ?pegam no pesado? diariamente às vezes até nos fins de semana e os outros 12 vivem de brisa. Aí vai a relação dos operários-padrão: Leléu (o cobrador), Martiniano (o auxiliar de conferente), Iran (volante e militar), Sandro (lateral e militar), Ricardo (lateral e operador de máquinas), Clérisson (atacante e mecânico industrial), Jairo (meia e mototaxista) e Ednaldo (goleiro e atendente).

Como é de se esperar, os treinos acontecem no horário em que todo o mundo deveria estar descansando, à noite, e sem a presença dos ?trabalhadores?. Claro, tudo com o consentimento e compreensão do professor Erinaldo José do Nascimento, o Nino. Para se ter uma idéia, o zagueiro Martiniano, que ganha parcos R$ 320,00 mensais, só bateu ponto em dois treinos este ano, sem dúvida um recorde. Não dava para ir, vou fazer o quê?, questiona entre risos o curinga do time, que jogou de centroavante contra o Náutico.

O técnico reconhece que não pode fazer nada a não ser aceitar, pois como o Ferroviário ainda é amador, não paga salário aos jogadores. O mais complicado poderia ser administrar a fogueira das vaidades, pois justamente os oito que trabalham são titulares. Fosse num time profissional, era chiadeira certa por parte dos assíduos ?batalhadores. Mas no Ferrim, o buraco é mais embaixo. Somos todos amigos e temos consciência de que eles são sacrificados, reconhece o meia Geraldo, desempregado.

No dia dos jogos é que o negócio fica mais complicado. Mas aí entra em campo a talvez mais eficiente tática da equipe, a lábia. Nino e companhia limitada já fizeram amizade com todos os supervisores, chefes e sargentos possíveis e, até agora, ninguém ?deu bolo? na hora de jogar. Quando tem jogo, eu troco de horário com algum colega, diz o atacante Leléu. Na final da Terceirona, inclusive, até a Secretaria de Educação do Cabo entrou em ação para garantir os onze titulares em campo.

Claro que ninguém joga sozinho e não é com a lábia dos ?ferroviários? que a história será diferente. O grande parceiro para driblar superiores e correlatos é a idolatria dos colegas. Meu patrão sempre elogia muito meu futebol, conta Martiniano. Quando qualquer um deles aparece na televisão é sempre, ?aquela zona?, como costumam dizer.

PROFISSIONAIS É tudo muito bonitinho e romântico, mas a partir do ano que vem o negócio vai mudar. Para disputar a Segunda Divisão do Campeonato Pernambucano, a FPF obriga os clubes a tornarem-se profissionais. Tradução: o Ferroviário agora precisará de uma diretoria organizada, inscrever os atletas na Federação e, o que parece o maior desafio, pagar salários.

O técnico-dono Nino garante que vai cumprir com todas as obrigações mas não quer ver ninguém fora do emprego e corre atrás de novos patrocinadores. Atualmente eles têm que virar-se com os caraminguás da Prefeitura do Cabo e a ajuda de um amigo empresário, dinheiro suficiente para compra de materiais e auxiliar atletas desempregados.

Enquanto a Segundona não chega, o Ferrim se vira como pode. Todas as decisões são tomadas na sede-salão-de-festas-ponto-de-encontro Bar do Chico. Mas é bom que a profissionalização venha logo, pois já tem gente a ponto de interromper a carreira de boleiro. Vai chegar uma hora que terei que pensar em jogar ou trabalhar, pontua o lateral-esquerdo Miga.

Até zagueiro bêbado já jogou no time do Cabo. Num esquema tão ?livre? (pode-se dizer assim) como o do Ferroviário, é quase impossível não aparecerem casos que, inclusive, já passaram à história do time, a começar pelo regime tipo família, adotado desde a fundação, em 1961. Naquele ano, Argemiro José Nascimento criou o Ferroviário Esporte Clube do Cabo, mais para os nove filhos homens jogarem do que qualquer outra coisa.

Às vésperas do 40º aniversário, o clube é presidido pela viúva de ?seu? Argemiro, Edite do Nascimento, 69 anos. Presidenta, aliás, que marca presença em todos os jogos e reclama do filho-técnico quando é preciso. Quando ele erra, eu reclamo mesmo. Todo o mundo tem que me pedir a bênção, conta, entre sorrisos.

Presidentes 
2006-2010: Erinaldo José do Nascimento
Hino 
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